Os mais velhos ensinam

À conversa com Sofia Barreto, encarregada de educação e autora do livro “A Chinesinha”


“A Chinesinha” é um conto infantil que relata episódios da infância de uma menina sonhadora, curiosa, trapalhona e que, apesar de ser inteligente, não era lá muito boa aluna. A Chinesinha cresceu numa família humilde e era filha de pais separados.

Dando seguimento ao meu projeto de proporcionar conhecimento da nossa língua e cultura aos alunos através do testemunho e experiência de familiares, de aproximar/envolver familiares de alunos no contexto escolar e de dar a conhecer e valorizar a comunidade portuguesa presente na Suíça, desta feita, convidei a D. Sofia Barreto, encarregada de educação de uma minha aluna do curso em Bülach, a ir aos cursos onde leciono, a dar a conhecer o seu conto infantil “A Chinesinha” e a conversar com os alunos mais velhos sobre a importância de seguirmos os nossos sonhos e de traçarmos objetivos para os conseguirmos realizar.

Como estamos a trabalhar os temas ”A família” e “O sonho comanda a vida”, a leitura deste livro e a apresentação aos alunos deste membro da nossa comunidade, um exemplo positivo de resiliência, pareceram-me importantes e adequadas para complementar o estudo destes temas. Considerei a mensagem e os valores morais de cidadania que este livro veicula importantes para os alunos e que, sendo um livro autobiográfico, conhecer a autora como pessoa, assim como o seu percurso profissional, é algo positivo e enriquecedor, um bom exemplo para a nossa comunidade, e a valorização das nossas qualidades, da nossa língua e cultura.

A D. Sofia criou empatia, envolveu e interagiu com os alunos, leu e pô-los a ler, a rir, principalmente, quando lhes ensinou um jogo, conversou, respondeu e fez perguntas. Todos nós, alunos mais pequeninos e maiores, alguns encarregados de educação e eu gostámos da audição e leitura fácil e cativante de partes do livro, das suas ilustrações e da história escrita de modo simples. Foram momentos de partilha, interativos, lúdicos e enriquecedores. Foi uma atividade diferente e bem-sucedida.

Ficou a mensagem para apreciarmos mais o que temos, valorizarmos a nossa família e o que ela nos proporciona, pensarmos menos em bens materiais e o encorajamento a lutarmos pela conquista dos nossos objetivos, a não nos deixarmos abater pelas vicissitudes da vida e, sobretudo, a procurar, valorizar e descobrir “... a beleza nas pequenas coisas da vida.”
Ana Teresa Miotti
Docente na Área Consular de Zurique

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